Profissionais buscam felicidade e bem-estar no trabalho

Trabalhadores estão mais exigentes e vão diminuir com o tempo. Em palestra na 9ª Semana do Comércio e Serviços de Caxias do Sul, economista conta o que empresários e gestores podem fazer para não sofrer com apagão de mão de obra

Na década de 90, o desemprego era um fantasma que assombrava os brasileiros. Existiam poucas oportunidades profissionais para muitos trabalhadores. Os tempos mudaram. A taxa de desemprego caiu a 5%. Agora os empregos “procuram” as pessoas. Afinal, o que está acontecendo com o mercado de trabalho brasileiro? Esta pergunta foi respondida pela Economista-chefe da Assessoria Econômica do Sistema Fecomércio-RS/Sesc/Senac, Patrícia Palermo, em palestra realizada na noite desta quinta-feira (17), no Auditório do SESC.

Patrícia contou que houve uma mudança do perfil demográfico do Brasil. Nos últimos anos a fecundidade feminina caiu significativamente. Em 2013, o número de filhos por mulher estava em 1,77. Em 2030, a expectativa é de que a taxa caia para 1,59. A economista explicou que menos filhos representam menos mão de obra no mercado de trabalho.

Outro fenômeno que colabora para a escassez de trabalhadores, segundo a palestrante, é que em todas as faixas de idade os jovens estão atrasando sua entrada no mercado de trabalho e o que é pior, eles não querem qualquer trabalho. “Antigamente para o trabalhador bastava receber o salário em dia e estar em um lugar bom. Agora o funcionário quer ser feliz”, observou.

Patrícia acrescentou que uma série de recursos financeiros oferecidos no curto prazo para os desempregados, como FGTS e seguro desemprego, agravam ainda mais o cenário. Para ela, outro fator preponderante é a internet, que permite o monitoramente em tempo real das oportunidades profissionais que chegam facilmente a todo o momento.

O terceiro problema detectado pela economista é o perfil da Geração Y, que compõem os novos funcionários. “O jovem de hoje tem pressa para ver as coisas acontecerem. A relação dos jovens com o trabalho é muito diferente de antigamente. O trabalho é encarado como mais um local onde ele frequenta e que pode se realizar. Ele não tem medo de ir embora se não estiver satisfeito, porque seu bem-estar está em primeiro lugar”, informou.

A alta rotatividade tem sido uma constante em diversos segmentos e queixa de muitas empresas. A dificuldade tem gerado custos e reduzido a competitividade das organizações. A palestrante relatou que muitos gestores estão cansados de treinar trabalhadores para depois perdê-los. “É pior não treinar alguém que fica do que alguém que vai”, opinou.

Para ajudar os empresários na atração e retenção de profissionais, a economista apresentou cinco pilares que sustentam o empregado no mercado de trabalho: remuneração; ambiente de trabalho (questões físicas e de relacionamento); reconhecimento; desafio; e casamento de valores entre a empresa e o funcionário. “Ninguém vai embora de uma empresa por R$50. Quando isso acontece estejam certos de que as outras coisas falaram mais alto”, sugeriu.

O empreendedorismo é outro fator que está afetando a mão de obra brasileira. Uma pesquisa apontou que 43,5% dos brasileiros sonham em ter um negócio próprio por três motivos: não desejam ter chefes; não querem ter horário; e gostariam de ganhar muito dinheiro.

Pensando nisso, a palestrante deu dicas para os gestores e empresários adequarem seus negócios aos anseios dos profissionais, com o intuito de não sofrerem com um “apagão” de mão de obra. “É preciso dar espaço e incentivar os funcionários a empreenderem no dia a dia realizando suas funções, sejam quais forem. Seria importante rever a jornada de trabalho, ao invés de oito horas, tentar flexibilizar o expediente ou contratar por horas. Isso vai atrair funcionários mais qualificados que primam por sua qualidade de vida. Outra importante recomendação é premiar melhor os profissionais que são relevantes, porque todos nós necessitamos ser valorizados”, ressaltou.

Na opinião da economista, os principais desafios atuais da área de Recursos Humanos são: aumentar a produtividade; entender a geração Y; incorporar trabalhadores com mais idade; e aumentar a inserção de mulheres no mercado de trabalho.

A Semana do Comércio e Serviços é uma realização da CDL, CIC, Sebrae-RS, Seprorgs, Sindilojas, SHRBS, Sindigêneros, Sirecom, Prefeitura de Caxias do Sul, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Emprego; e conta com apoio institucional da Fecomércio-RS.

Nesta sexta-feira (18) ocorre a última palestra e encerramento da programação.

Serviço

Palestra “Motivação para vencer os novos desafios”
Palestrante: Ricardo Leite
Pós-graduado em Gestão Comercial pela FGV/RJ e Bacharel em Comunicação Social pela PUC RS. Desde 1995 atua como instrutor e palestrante nas áreas de Vendas, Liderança, Atendimento a Clientes e Marketing.
Horário: 19h30min
Local: Auditório da CIC Caxias – Rua Ítalo Vitor Bersani, 1134 – Jardim América