Defensoria e OAB cobram providências em relação às irregularidades encontradas nos abrigos

A Defensoria Pública do Estado (DPE-RO), junto com a Comissão de Direitos Humanos da OAB, vai se reunir nesta quarta-feira,26/02, com os representantes da Secretaria de Segurança, com o Corpo de Bombeiros, com o  Sipam, a Secretarias da Educação e de Ação Social do Município e do Estado para cobrar providências em relação as diversas irregularidades encontras em três abrigos visitados pela  equipe da DPE-RO e a OAB,  nesta terça-feira, 24/02. A reunião será no Sipam, às 14 horas.

Foram visitados os abrigos da Igreja São João Bosco e dos Colégios Castelo Branco, centro, e Getúlio Vargas, no Areal da Floresta. A equipe constatou a falta de segurança,  de transporte para levar as crianças à escola e de  privacidade, em especial para mulheres  e crianças. Estas últimas, segundo os defensores públicos que participaram da operação, estão vulneráveis, convivendo em meio aos adultos. Foi constatado ainda problemas com álcool e drogas em dois dos abrigos.

Na Paróquia São João Bosco estão instaladas 13 famílias na quadra da escola. São 20 crianças.   Não existem divisórias nos espaços ocupados – algumas pessoas improvisaram lençóis. Eles disseram que o ideal seria a doação de barracas ou lonas para terem um pouco de privacidade. As crianças transitam livremente entre o amontoado de camas, fogões e utensílios domésticos.

O padre Miguel Fernandes, responsável pela paróquia, afirmou que está preocupado com o valor da energia  a ser cobrado pela Eletrobras. “As pessoas trouxeram geladeiras e ventiladores. Temos ainda o bebedouro. As  lâmpadas do ginásio e da área onde estão armazenadas as doações ficam acesas boa parte da noite – tudo isso contribuirá para aumentar os custos”, frisou. O gasto atual com energia elétrica é de R$ 3 mil.

Alimentos

Nos três abrigos visitados não há problemas com alimentação. A paróquia São João Bosco  funciona como um centro de distribuição. As pessoas  doam os alimentos e roupas nessa igreja, os voluntários separam e repassam para os demais abrigos. Há, porém necessidade de material básico de limpeza  e higiene pessoal nos três locais em que a equipe esteve.

Drogas

No Colégio Castelo Branco e no Colégio Getúlio Vargas a maior reclamação se deve à falta de segurança à noite e nos finais de semana por conta do uso de drogas e álcool pelos jovens.  A secretária-geral do Castelo Branco, Elinda Jacob, disse que os jovens costumam sair para beber/consumir drogas  e retornam tarde da noite, junto com os amigos. Para entrar na escola, pulam o muro. “Estou preocupada como será durante o  Carnaval”, disse.

São 18 famílias abrigadas em 18 salas de aula do Castelo Branco. Nesse meio estão 28 crianças e adolescentes de 0 a 15 anos, além dos cachorros e gatos.

A direção liberou a área de lazer para os maiores de 9 anos. Os menores estão ociosos. À  noite, os coordenadores colocam filmes infantis para manter as crianças ocupadas. No Getúlio Vargas estão dez famílias. Nessa escola, segundo os coordenadores do abrigo, é comum jovens entrarem à noite nas dependências da escola para  o consumo de drogas.

A equipe da Defensoria foi formada pelos defensores públicos Dayan Albuquerque, Marcus Edson de Lima e José Alberto de Paula Machado. A OAB foi representada por Ezequiel Roque e Cibele Barbosa. Participaram ainda da ação a assistente social Alessandra Araújo, a psicóloga Amanda Rafih e o assessor de defensor  Marcelo Czarnecki Mayorquim.