Porto Real comemora o dia da Consciência Negra

O evento reuniu exposições de arte e cultura

São 125 anos de abolição da escravatura e muitas histórias de lutas e determinação. “Ter a consciência negra é celebrar quase 300 anos de martírio em apenas um dia. Esse é um momento de observação de todos esses séculos em que ainda existe um racismo implícito em muitas pessoas”, destaca a professora de história, Kissy Cinthia, que leciona na Escola Municipal Noturno Porto Real. Para ela o mais importante é ter a consciência de que somos frutos de uma miscigenação interminável, onde já não é mais possível definir raças distintas.

Assim como Kissy, diversos setores da Divisão de Cultura de Porto Real, além de membros de grupos de valorização da cultura negra e exposição de trabalhos artísticos ocuparam, nesta sexta-feira (29), durante todo o dia, o Horto Municipal, em homenagem ao dia da Consciência Negra, comemorado no último dia 20, em todo o Brasil. “Nosso objetivo é a valorização da cultura e relatar a importância do negro, principalmente para o crescimento de Porto Real”, afirma a diretora de Cultura do município, Maristela Fonseca.

Uma das participantes da exposição era a artista plástica Vera Vicentina, 67 anos. Ela é vencedora de prêmios importantes pelo trabalho desempenhado com material reciclável e valorização da cultura negra. Vera foi a vencedora do XIII Salão de Artes Plásticas do 28°. BPM (Batalhão de Polícia Militar de Volta Redonda). Ela ainda recebeu prêmios em 2005 por menção honrosa, e em 2009 conquistou o terceiro lugar pelas suas obras também pelo 28°. BPM. “Eu colecionava latinhas. Já eram 100 e meu filho disse que precisava de um espaço para me dar um televisão nova. Então resolvi começar a fazer arte. São 18 anos de profissão. Deus levou a faculdade de arte pra dentro do meu barraco, eu sou autodidata, aprendi tudo sozinha”, conta a orgulhosa Vera.

A representante do grupo Igualdade Racial, Evandra Cândida, que também é Coordenadora da Casa Abrigo de Porto Real, considera importante a consciência começar desde a infância: “É importante despertar nos jovens o conhecimento da própria história. Só assim será possível a valorização e o respeito mútuo entre nós”, diz.

Outra integrante do movimento é Tatiane Martins, que falou sobre um dos murais que ficaram expostos: “Nós recolhemos fotos e resgatamos a história dos moradores negros mais antigos de Porto Real. Temos pessoas que já têm 90 anos e vieram para cá ainda crianças. Eles são a própria história da cidade”.

Além da exposição, o evento contou com apresentações de capoeira, maculelê e show de forró com o grupo Forró Xonado.